terça-feira, julho 21, 2020

Botelho, um itaitubense que nasceu Belém, que fez história na política local - I

Depois de formado médico, Edilson Dias Botelho ingressou nos quadros do Exército brasileiro, em Belém, como tenente, de onde foi transferido para Itaituba, servindo no 53º Batalhão de Infantaria de Selva.

Após passar para a reserva, decidiu permanecer no município, no qual viria a se tornar uma das maiores lideranças políticas da história de Itaituba.

Mesmo com poucos recursos, porém, conquistando espontaneamente, um grande número de seguidores políticos, Botelho passou a despontar quase como candidato natural, em função do apelo popular que havia em torno do seu nome.

Em 1988 ele concorreu como candidato a vice na chapa que tinha como candidato a prefeito, outro médico, Benigno Olazar Reges, chapa pura do PSB, que derrotou Djalma Freire (PMDB) e Wilson João Shubert, candidato apoiado pelo então prefeito Sílvio de Paiva Macedo (PTB).

Após a posse em 1º de janeiro de 1989, a união de Benigno e Botelho durou pouco. Mesmo sendo do mesmo partido, os dois passaram a se desentender, até chegar ao rompimento total.

O Dr. Botelho, como foi sempre conhecido, queria ser prefeito de Itaituba, e estava escrito que viria a ser. Não, na primeira tentativa, na qual ele teve uma disputa muito acirrada contra Wirland Freire.

Foi em 1.992. O garimpo ainda mandava dinheiro em sacos para a cidade de Itaituba, e Wirland continuava sendo o grande barão da distribuição de derivados de petróleo na região garimpeira, sobretudo, de óleo diesel, matéria prima fundamental para produção de ouro.

Edilson Botelho era o candidato pobre daquela eleição, que contava com a simpatia de algumas pessoas endinheiradas, que não se alinhavam com Wirland e queriam vê-lo longe da cadeira de prefeito.

E foi assim que aconteceu aquela eleição, na qual a panela de pressão da política local esteve sempre em ebulição. Os dois lados transformaram-se em arquirrivais, às vezes, arqui-inimigos.

Ver um “wirlandista” conversando com ‘botelhista” no decorrer da eleição de 1992 era considerado um sacrilégio político, e quem que fosse flagrado nessa situação, dependendo da estatura de cada um junto ao seu líder, tinha tudo para cair em desgraça.

 Só não foi pior do que a eleição de 1988, na qual houve diversas ameaças contra alguns participantes, pairando no ar um clima pesado.

 Ainda não foi daquela vez que Botelho colocaria a faixa de prefeito. Ele perdeu para Wirland Freire por uma diferença de cerca de 1.500 votos, numa apuração tensa, realizada no antigo clube Cebolão, localizado no bairro do Piracanã.

 Mesmo perdendo a eleição para prefeito, Botelho terminou o pleito com um vereador eleito a mais que Wirland, o que lhe permitiu fazer a presidência da Câmara Municipal, sendo eleito Peninha, com seis votos, contra cinco votos do candidato de Wirland, iniciando-se naquele momento uma relação ultra complicada entre o prefeito e o presidente da Câmara, que representava o “botelhismo”.

 Continua....

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