quarta-feira, setembro 22, 2021

Pescadores de Santarém relatam situação crítica: 'Nem a covid nos afetou tanto'

Mais de 400 toneladas de peixes ficaram 'encalhadas' nos pontos de venda

Após a divulgação de quatro casos suspeitos da Síndrome de Haff, popularmente conhecida como doença da ‘urina preta’, em Santarém, no oeste do Pará, o setor pesqueiro tem sido duramente castigado, pois com receio de contrair a doença, a população tem evitado o consumo do produto. Cerca de 7 mil pescadores estão sendo afetados pela crise da falta de vendas do pescado. 

Na Feira do Pescado, localizada na Avenida Tapajós, em Santarém, pescadores e vendedores lamentaram a queda nas vendas. Para Faustino Rego, que trabalha com peixe há mais de 12 anos, nem a pandemia da covid-19 gerou uma crise tão grande no setor.  

‘O povo está com uma rejeição muito grande. Ontem eu doei 200 quilos de peixe para não estragar. Nem a covid nos afetou tanto como essa situação de agora, mesmo com pandemia as pessoas compravam’, disse desolado. 

A vendedora de peixe, Luzia dos Santos, relata não saber mais o que fazer com o produto que não é vendido. ‘Nem doando o povo quer, estamos jogando fora, povo está com medo da doença. A situação é muito triste, nunca vive algo assim’, contou. 

Francisco Raniere disse que as vendas caíram 95%, ou mais. Ele afirmou ter vendido no dia de ontem R$ 24 de peixe, mas antes da crise chegava a vender até R$ 2,500. 

'Hoje, o dinheiro não cobre nem o que gastamos com o gelo. O peixe vai ficando, vai ficando, até que jogamos fora ou conseguimos doar. Semana passada eu doei mais de 200 quilos', falou. 

 

Secretaria Municipal de Agricultura e Pesca diz que 400 toneladas de peixes deixaram de ser comercializadas (Ândria Almeida / O Liberal / Santarém) 

De acordo com a Secretaria Municipal de Agricultura e Pesca (Semap), nas duas últimas semanas, após a divulgação de casos suspeitos de urina preta no município, 400 toneladas de peixes ficaram ‘encalhadas’ por falta de venda. 

‘Temos a questão da saúde pública, em primeiro lugar, mas não podemos deixar de nos preocupar com a questão social e econômica que está passando no nosso município. Nas últimas duas semanas, deixamos de comercializar 400 toneladas de pescado em Santarém', lamentou o secretário Bruno Costa. 

Para o secretário, essa baixa na procura é devido a desinformação e as fakes News que circulam sobre a doença. 'No momento, nossa missão é combater essas informações falsas que têm criado o receio de consumir o pescado. A população pode ficar tranquila quanto ao consumo de peixe aqui em Santarém, municípios vizinhos e do estado do Pará’, reforçou o secretário. 

 A coordenadora da Vigilância Sanitária, Helen Silvestre, afirmou que os trabalhos para garantir que os peixes cheguem de forma saudável na mesa do consumidor continuam diariamente. 

A Prefeitura de Santarém criou um grupo técnico para estudo de rastreabilidade da cadeia do pescado em Santarém, para mapear todo o caminho percorrido das espécies desde a captura nos rios até a comercialização em feiras e mercados e em restaurantes. 

Por: Ândria Almeida/O LIberal 

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