quinta-feira, maio 20, 2021

Análise: Vitória histórica do River Plate é mais do que fruto da mística de um gigante

A noite desta quarta-feira no Monumental de Núñez foi daquelas que entrarão para a história do esporte mundial. É até difícil dimensionar adequadamente o tamanho do feito protagonizado pelo River Plate.

Assolado por um surto de Covid-19 que tirou 20 jogadores da partida, o time argentino entrou em campo com o meia Enzo Pérez atuando como goleiro, apenas três titulares entre os dez jogadores de linha e ninguém no banco de reservas. Ainda assim, venceu o Santa Fe, da Colômbia, por 2 a 1. Entrou em campo ameaçado de uma goleada, saiu dele vencedor e líder do Grupo D da Libertadores, a uma rodada das oitavas de final.

É tentador explicar o feito apelando a elementos impalpáveis, quase místicos, como a grandeza do time tetracampeão da Libertadores, ou a atmosfera do Monumental, principal estádio do futebol argentino, palco do título mundial na Copa de 1978. Ou então a intervenção espiritual de Amadeo Carrizo, maior goleiro da história do River, falecido em março de 2020, sobre Perez, que acabou eleito o melhor jogador da partida.

Mas há argumentos mais racionais para o que aconteceu em Buenos Aires. Uma delas é a qualidade do trabalho de Marcelo Gallardo, desde 2014 à frente do River Plate. Enquanto teve fôlego, a equipe conseguiu ser mais perigosa no ataque e ao mesmo tempo se manter segura na retaguarda.

A eficiência ofensiva não contou apenas com as falhas defensivas dos colombianos, desatentos no início da partida. Mesmo sem entrosamento, os jogadores do River possuem uma ideia de jogo bem clara. Sabem o que fazer, quando fazer. Foram transições rápidas que pegaram o Santa Fe desprevenido. Angileri e Álvarez fizeram dois gols em apenas cinco minutos.

Na defesa, o treinador montou uma linha de cinco defensores — sejamos justos, era o que dava para fazer com os jogadores disponíveis — que protegeu bem Enzo Pérez, especialmente no primeiro tempo.

Os colombianos pareciam atônitos, sem poder de reação. Perceberam que deveriam finalizar mais a gol a partir dos 26 minutos. Finalizaram mal e Pérez pulou sem jeito para defender. Depois, mudaram de estratégia, cruzando bolas na grande área. Nada que surtisse muito efeito. Os jogadores do River se multiplicavam especialmente no meio de campo e abafavam o jogo do Santa Fe logo na raiz.

O River Plate entregou a bola para o Santa Fe jogar, o que tornou a partida ainda mais desgastante em termos físicos. Terminou a noite histórica com apenas 30% de controle, o que cobrou um preço. A partir dos 15 minutos do segundo tempo, foi perdendo o fôlego, desarrumando as linhas e dando espaço para os atacantes adversários. Isso tudo sem que tivesse jogadores no banco para fazer substituições.

Foi isso que chamou o Santa Fe para a partida. Aos 27 minutos, Osorio descontou em uma finalização desengonçada, mas suficiente para bater o dublê de meia e goleiro, que nem pulou na bola. Ainda assim, a história estava escrita e nada seria capaz de mudá-la.

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