quinta-feira, novembro 25, 2021

Fraudes podem levar Serabi Mineração a encerrar atividades em Itaituba

Lúcio Flávio Punto - A Serabi Mineração, que produz ouro, cobre e prata em Itaituba, vai ter que decidir se paralisa ou continua as suas atividades. A indefinição se deve à descoberta de fraudes internas praticadas pela direção local anterior da empresa, que pode ter relação com as finanças e algum desvio no pagamento de tributo, por se tratar de questão fiscal. A avaliação da situação ainda não foi concluída.

A companhia, controlada pela Serabi Mining (Gold), a Gold Aura do Brasil Mineração e a Chapleau Exportação Mineral, iniciou suas operações de extração de minérios em 2006, com a mina Palito. Dois anos depois, decidiu suspender a extração “devido ao momento mercadológico”, mas manteve as atividades de pesquisa e desenvolvimento até o exercício de 2011.

 Em 2018, iniciou projeto de sondagem e perfuração de superfície, “com foco na avaliação de novas descobertas de recursos nos limites das minas Palito e São Chico. Em 2019, as operações de mineração e processamento no Complexo Palito “ bom desempenho resultando em uma produção recorde de ouro de 40.101 onças, uma melhoria de 8% em relação a 2018”, como informa em seu balanço de 2020, publicado hoje no Diário Oficial do Estado.

 O minério extraído de Palito e São Chico e o minério processado totalizaram 177.335 toneladas, 4% melhor o teor de minério processado até então.

 Assim, a empresa teve receita de 311 milhões de reais com a produção de concentrado contendo os minérios de ouro (R$ 304 milhões), prata e cobre. O Japão é o destino principal é Japão para o concentrado e a Alemanha para o bullion de ouro. O lucro líquido subiu de R$ 54 milhões em 2019 para quase R$ 100 milhões no ano passado

 A direção da Serabi informa no seu relatório que durante a auditoria referente ao período de 2020, “foram identificados R$ 450 mil em saques realizados sem documentação suporte correspondente. A Companhia acionou seus representantes legais no Brasil para realizar uma investigação compreensiva e, posteriormente, contratou uma investigação forense independente”.

 Foram identificados “valores em operações com suspeita de irregularidade, que envolveram colaboradores específicos da companhia”, que precisou constituir provisão para riscos fiscais no valor de R$ 2 milhões. Já em outubro deste ano a empresa substituiu o diretor presidente.

 
O auditor, independente das demonstrações financeiras observa na investigação interna “foi apurado que os gastos estavam apropriadamente reconhecidos no resultado dos exercícios envolvidos, e não foi identificada evidencia direta de que quaisquer dos montantes foi usado para pagamentos impróprios junto a autoridades públicas quanto ao escopo das licenças ou qualquer tipo de benefício”.

 Acrescenta, porém, que “não foi possível à Administração da Companhia obter evidência sui ciente para concluir sobre a natureza e destinação final dos pagamentos e saques identificados”. Daí a decisão de provisionar os R$ 2 milhões, para responder por eventuais “riscos fiscais”.

 O auditor, a BDO RCS Auditores Independentes, ressalta que a Serabi “tem a intenção de prosseguir com as medidas legais apropriadas quanto a quaisquer valores que venham a ser considerados apropriação indevida”.

 O auditor conclui ser adequado o uso, pela mineradora, “da base contábil de continuidade operacional e, com base nas evidências de auditoria obtidas, se existe incerteza relevante em relação a eventos ou condições que possam levantar dúvida significativa em relação à capacidade de continuidade operacional da Empresa”.

 Se concluir “que existe incerteza relevante, devemos chamar atenção em nosso relatório de auditoria para as respectivas divulgações nas demonstrações contábeis ou incluir modificação em nossa opinião, se as divulgações forem inadequadas”.

 A BDO declara que suas conclusões “estão fundamentadas nas evidências de auditoria obtidas até a data de nosso relatório. Todavia, eventos ou condições futuras podem levar a Empresa a não mais se manter em continuidade operacional”.

Fonte: O Estadonet

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